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VIEIRA DA SILVA agora

"Com o título “Vieira da Silva, agora”, procuramos não só ir ao encontro dos desígnios da iniciativa bilateral assumida pelos governos dos dois países, como voltar a trazer à cidade que acolheu, por quase uma década, durante a II Guerra Mundial, um dos nomes maiores da pintura moderna e contemporânea, reconhecido à escala mundial.

Casada com o pintor húngaro Arpad Szenes, de origem judaica, que conheceu em Paris onde se radicou muito jovem, Maria Helena Vieira da Silva tentou que o Governo de Portugal conferisse ao marido a nacionalidade portuguesa, assim protegendo o casal das perseguições do regime nazi que se faziam sentir no final dos anos 1930, quando começou a Guerra. Tal foi‑lhes negado, o que os levou a procurar o Brasil como lugar de exílio onde viveram e trabalharam, na cidade do Rio de Janeiro, entre 1940 e 1947.
Apesar de todas as dificuldades de adaptação ao novo país (Maria Helena queixar‑se‑ia da sua dimensão gigantesca, do clima, da escassez de meios financeiros, do corte de laços com os seus galeristas europeus, da distância), o casal sempre reconheceu ter feito amizades inesquecíveis. Foram “sete anos de poetas”, como dizia Vieira da Silva, durante os quais conviveram com artistas, escritores e pintores, e encontraram admiradores e amigos fiéis para toda a vida. A artista dizia, mesmo, que foi no país de exílio, que considerava o “prolongamento de Portugal”, que muito aprendeu “sobre música, literatura, e até sobre a Europa”.



artigos | by Dr. Radut