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VASCO GRAÇA MOURA-VISTO DA MARGEM SUL DO RIO O PORTO

"É um privilégio revisitar a nossa cidade através da leitura destes 
poemas de Vasco Graça Moura. Lidos assim, reunidos, seja qual for
 a ordem por que os lemos e até a ordem por que foram escritos 
ao longo de quase meio século, traçam um percurso sedutor, que
 nos envolve em cada página. Neste seu porto, o Porto onde nasceu,
 Vasco Graça Moura abre-nos, por muitos caminhos, a cidade que
 reescreve, na constante busca do espírito do lugar, como se buscasse
 a sua própria identidade e sentido, nos tempos e espaços da 
infância e da juventude, mas a que regressa sempre, em incessante
 acto de recriação e redescoberta.

Porto de partida, porto de chegada.
 E também travessia, algures entre as margens, «a seguir a corrente»
 do rio até à foz e ao mar.
 No cadinho em que funde a memória e a escrita, Vasco Graça Moura
 reelabora, com mestria artesã, a sua mundividência portuense, 
simultaneamente íntima, familiar e cosmopolita, que vai «do coração do 
porto até ao mundo» («no coração do porto»). Se a memória é omnipresente, 
jogando a cada passo com a introspecção, não se trata
 apenas de nostalgia, doce e densa, dos bons velhos tempos. É, bem 
mais do que isso, na forma como se exprime, com a coloquialidade
 franca de quem nos abre as portas da intimidade e reflecte dúvidas 
e diferenças e confessa inquietações e desejos, ou nos objectos de 
uma narrativa poética do quotidiano, a contínua busca de um ethos 
tripeiro, «encontro de razão e coração», em que se ligam «o amor à
 liberdade e o bom senso / calor humano, humor, cidadania»".



artigos | by Dr. Radut